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Arquivo do mês: dezembro 2010

E bem, e o resto?

A porta branca e alta abria levemente enquanto ele já entrava na sala, passou ao lado do seu sofá bege de tecido velho, contornou a mesa de jantar francesa até atirar seus sapatos a um canto criado pelo braço do sofá e uma coluna de gesso. Aproximou-se da estante de madeira mogno observando a coleção gigantesca de discos dentro de suas respectivas capas de plástico.

Tantas cores, tantos nomes! Ele esticou o braço e tirou cuidadosamente o único cd de capa branca daquela prateleira, abriu a capa, deslizou os dedos por cima da estampa para sentir sua textura áspera e rugosa, pressionou o centro do encaixe fazendo com que o disco pulasse e se encaixasse em seu dedo. Ligou o rádio e, apressado, colocou o cd dentro do compartimento, fechando-o aos poucos como se apreciasse o momento… Um, dois, três, quatro cliques até que o display chegasse à última faixa.

Deitou-se no sofá e abriu o jornal: Um crânio com asas estampado.

As time passes by, regrets for the rest of my life.
The ones who I confide were gone in the black of the night.

underneath

Muita coisa estranha já aconteceu na minha vida: desde conversar com pessoas que nunca existiram até mesmo acordar em um lugar onde nunca imaginei estar, mas hoje, especialmente HOJE, pude ouvir algo que jamais imaginei que presenciaria.

Estava chovendo enquanto eu andava na Jurubatuba, uma paralela da Marechal Deodoro, principal rua de comércio de SBC, havia um mendigo abraçado com uma mulher velha, negra e de cabelos grisalhos, aparentemente mendiga também. Eu passei do lado deles e estendi uma nota à mão do cidadão quando a mulher olhou pra cima e exalou com toda serenidade:

“O mulato apaixonado pela chuva e a lua, onde o mundo se resume em olhar o balançar das árvores pelo vento e imaginar um desencontro com alguém única, a mulher que não deixará ser conquistada”

O velho homem fechou a mão e eu tornei a andar, assim a chuva continou forte;
Eu não quero esquecer, ponto.

Bizarro.

And with dust in throat I crave

Música, dádiva atemporal, ecoa pelos meus ouvidos limpando meu corpo e purificando minha alma; fazendo todas as maldições escorrerem veias a fora, enquanto trás consigo novidade junto ao prazer forjado dos solos dessas cordas, das batidas daquele bumbo, dos riffs deste baixo e da voz de um ser abençoado.

Hei de viver para sempre ao teu lado, Heavy Metal, até morrer.

But now it isn’t true.

I’ve had a few
Little love affairs
They didn’t last very long
And they’ve been pretty scarce
I used to think
That was sensible
It makes the truth
Even more incomprehensible
‘Cause everything is new
And everything is you
And all I’ve learned
Has overturned
What can I do.

Helloween – Lay all your love on me (ABBA Cover)

Digite um título aqui…

Decepção, ousadia e criatividade. Hoje, a vida se resume nisso.
Meus olhos fraquejam a medida que escrevo ao som de fundo dos créditos do filme A Múmia 3, mesmo assim, eles sempre continuam atentos a novidades; e estes não falham nunca. Ou quase nunca.

Preferia ser ingênuo e ignorante ao invés de ter o costume de supor coisas. Sabe aquele estalo que você sente ao ver ou ouvir algo? O famoso “cair da ficha”? Ótimo, é disso que estou falando. Eu vejo as coisas e começo a ligar as frases, os horários, as pessoas e as sensações. Tudo num mísero instante sem esforço algum, péssimo! Automatico e terrível, contudo revelador. E, hoje, triste.

Ilusão, acreditar ou não? Acho que a questão não é essa… Permitir-se viver numa. Não estou falando de mim, também que eu não me encaixe, todos nós temos utopias tentadoras, sonhos supostamente distantes e impossíveis de se alcançar. Realidade, quando essa encontra com a utopia, o prazer se torna inestimável em qualquer oportunidade destas colidirem com você, juntas.

Hoje pensei em muita coisa. Desde o meu corte de cabelo que mudou pra caralho desde o começo do ano pra cá até por que constelações estrelares existem. Calor desgraçado, não? Narinas secas, olhos ardentes, talvez por causa do computador, e garganta raspando; sinto meu nariz trancando junto aos estalares do meu ouvido toda vez que engulo saliva, isso é péssimo. Sinal de gripe em pleno verão, porra, será que eu mereço?

Bom, a vida é engraçada. Terrível. Maravilhosa. Entendiante. E sabe o que é mais interessante? Não depende de você. Você tem vontade, você tem aquele vigor mas te deixam na mão. Do que adianta usar as oportunidades se elas não te trazem retorno? …Ah, sim. Elas te trazem um retorno que você não quer ver. Está cego, surdo, estático porém não mudo, pelo contrário, afiado como navalha para rebater qualquer palavra que vá contra o que pensa. O óbvio ignorado, depois visto e rejeitado. Bom, a vida é engraçada, a gente fica bravo e vem escrever aqui.

Como se fizesse diferença.

Por que ainda há sinais? Por que será que ainda tento escavar alguma coisa? Finjo não entender, prefiro que seja objetivo e direto como um sorriso ou um soco na cara.

Na realidade, para mim, faz. Mas não muda a realidade; só minha utopia que cada vez mais se distancia da realidade da vida. E… Lá no fundo, eu talvez goste disso.

Vejamos o que o tempo me reserva, e se assim padecer, tomare que eu tome vergonha nessa minha cara e pare de ser idiota.

… Lá no fundo, liberté.

Oi,

como vai você?
Eu vou muito bem, obrigado.

Reckoning

I judge us
my eyes see
I judge and I am just
For I speak of the beast
That lives in all of us
Unwelcome ones
your time has come

Servants of the fallen
Fight to pave the way
For their savior’s calling
On this wicked day

Through a veil of madness
With a vicious play
One man rises up
Standing in their way

It’s time for your reckoning

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