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Ah, torradas!

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O homem velho passava a catraca e se aconchegava segurando o cano de apoio no teto do ônibus. A música entrelaçava meus ouvidos quando outra figura se aproximou do velhaco e começou a falar. Palavras coerentes e levemente arrastadas, com erros de pluraridade, mas nada absurdo. Gostei da fala do velho, mas não dei importância ao que dizia.

O motorista, quase que estressado, acelerava e usava os freios como se fossem irmãos gêmeos siameses. Finalmente, conseguiu derrubar os meus fones de ouvido e quebrar aquela sensação de movimento sonorizada que faz o tempo passar tão rápido. O velho era professor, ainda de Filosofia, por sinal, por isso seu jeito de falar não me cansava, mesmo com seus vícios de linguagem evidentes. Muito bem, chega de resistir. Ouvidos à conversa alheia.

Quais as chances de alguém chegar ao seu lado, em um ônibus das quatro, e começar uma dissertação sobre algo que você queria muito saber? O velhaco não parava de falar sobre os campos da filosofia e as faculdades que possuem os melhores curso didáticos, estendeu-se aos horizontes da Sociologia e da Ciência, emendando em assuntos de Relações Públicas (ou Internacionais) em de algum jeito, sintetizou-se na fala sobre Computação.

Desci do ônibus perito em assuntos universitários e até extra-curriculares. Até surgiu vontade de agradecer o senhor que não fazia ideia do bem que fizera ao passageiro intruso em sua conversa, mas perdi seu rosto devido a tanta gente embutida no 39.

O que faz essas coisas acontecerem? É o mesmo motivo que faz o telefone tocar quando pensamos tão sinceramente em alguma pessoa? Ou quando você lê aquela frase num livro, tão perfeita ao seu momento que nunca imaginara estar ali? E o reencontro de dois amantes nove anos depois? Ou ainda um “olá” envergonhado de outros dois depois de terem se apagado mutuamente? Talvez a estreia de um filme ser no dia de seu aniversário?

Sem dúvida, a vida de ninguém é pré-escrita. Usamos o acaso como ferramenta, de fato, coincidências existem. Mas não pode-se dizer que toda coincidência é mero acaso. E nem que todo acaso é coincidência. Quem sabe o Destino não existe aos pedaços? Eu gosto dessas torradas.

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