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Arquivo do mês: agosto 2011

Não temos com quem chorar.

Senhor, piedade.
Pra essa gente careta e covarde.
Vamos pedir piedade,
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem.

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor.

Tenho medo e eu sei porquê:
Estamos esperando.

Quem é o inimigo?
Quem é você?

Nos defendemos tanto tanto sem saber
Porque… Lutar.

Clareia, manhã
O sol vai esconder a clara estrela ardente,
Pérola do céu, refletindo teus olhos.
A luz do dia a contemplar teu corpo sedento
Louco de prazer e desejos ardentes.

Nossas meninas estão longe daqui
E de repente eu vi você cair
Não sei armar o que eu senti
Não sei dizer que vi você ali.
Quem vai saber o que você sentiu?
Quem vai saber o que você pensou?
Quem vai dizer agora o que eu não fiz?
Como explicar pra você o que eu quis…

Somos soldados
Pedindo esmola
E a gente não queria lutar
E a gente não queria lutar
E a gente não queria lutar

E a gente não queria lutar.

Cazuza – Blues da Piedade
Legião Urbana – Soldados
Ed Motta – Nascente

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Por destaque e outras fragrâncias.

E eu te conheço. Do mesmo jeito que você me conhece.
E sei que você sempre faz do jeito errado.

E eu nunca sei qual o jeito certo.
Só conheço seu jeito. O melhor jeito.

Sonhos

Uma coisa engraçada sobre a mente humana é a capacidade que possui de iludir-nos com nosso próprio  subconsciente, onde não há leis ou restrições que nos vetem de qualquer ação. É um tipo estranho de liberdade, mas ainda sim é a essência de um ser liberto.

Muitos contam histórias sobre seus sonhos psicodélicos, sem sentido, alguns outros eróticos, você não tem como controlar o que está fora do alcance consciente. “Sonhei com você!”,  “é mesmo?”… Já é um trabalho imenso tentar lembrar de algum sonho, e ainda quando lembra-se dele foi com alguém conhecido?

Quase sempre os sonhos envolvem pessoas que não fazemos ideia de quem são, lugares em que nunca estivemos, e situações completamente duvidosas. E essa é a graça de poder sonhar, viver além dos sentidos e dos limites reais! Dizem que o homem mais pobre é o que não sonha, o mesmo que vive na inércia e sem almejar objetivos, uma tristeza viver assim.

Durante muito tempo vivi sem sonhar, colocando a cabeça no travesseiro sempre pensando na mesma coisa e acordando no dia seguinte sem nenhuma lembrança do que se passou pelo subconsciente, só um vazio. Deve ser porque dizem que só as pessoas felizes sonham, mas não acredito que seja isso. Os aborrecidos têm muito mais anseios.

Mesmo assim, ainda bem que a felicidade é relativa.
Hoje, eu sonhei de novo.

Uma noite de esmeralda.

A noite era de lua cheia. Os dedos delicados percorriam o frágil e pouco expressivo rosto do homem fulvo, sentia a mulher de cabelos curtos não desviar-lhe os seus olhos claros em instante algum. As unhas brancas dançavam por suas sobrancelhas, perambulavam por trás da orelha e até o escovavam o cabelo. Ele queria olhar para ela, mas os olhos da moça ainda o encaravam.

No brilho daqueles olhos o passado se refletia: A jovem não poderia esquecer, seus olhos nunca deixariam aqueles momentos se perderem da memória. Surgia no espelho da lágrima uma jovem conversando com outras meninas, todas sentadas num banco velho e marrom perto ao jardim de uma mansão antiga, como já era costume das três garotas.

Grandes muros e portões sombrios sempre deslumbravam Ísis quando passava em frente à mansão, era a garota de cabelos lisos e negros. Seus olhos de esmeralda ficavam mais verdes com o brilho do sol refletindo as cores do jardim pouco colorido em seu rosto. Violetas, rosas, margaridas e um beija-flor azul que a encarava pairando na paisagem, como se com muita gratidão retribuísse o olhar da moça também apreciando seus olhos.

Era engraçado vê-la ali, parada, muito tempo depois de suas amigas já terem partido, apenas para apreciar as lindas flores exóticas e com aromas únicos do grande jardim. Costume meu observá-la pelos dias que ficava por lá até mais tarde. Sempre com suas pulseiras e colares dourados, contraste perfeito com os olhos verdes e o cabelo escuro… Como se tivesse nascido para chamar atenção.

Sempre me via sentado no último galho de árvore a observando. As esmeraldas me encaravam e desviavam-se logo em seguida. E depois, sempre um sorriso frágil. Conversávamos por olhares, sorrisos e bochechas vermelhas durante horas. Ela sentada, e eu no galho de árvore, até que meu galho se tornou o banco marrom.

Uma vez disse à ela como seria estranho se não me apaixonasse por tão formosa jovem. Passeávamos, conversávamos, tomávamos sorvetes e dançávamos nos campos livres da entrada de minha mansão. O fascínio naqueles olhos claros era encantador, seus dedos tremiam quando eu me aproximava, assim como meus joelhos também o faziam ao lado dela. Seus brincos de ouro, hoje, são de pedras raras.

Sentada na cama com apenas a luz do luar transformando seus corpos em silhuetas, Ísis ainda olhava com as esmeraldas encharcadas para o homem que avistava o horizonte sem fim pela janela. Seu sangue escorria pelas mãos da formosura, manchando o carpete do quarto onde estavam.  Ela queria amar. Foi um erro ter revelado meu segredo tão cedo. Ela não se conteve, sem controle, em desespero, não havia outra saída, o que mais poderia ter feito com este homem que talvez a amasse? Devia, com toda certeza, mas não podia confiar nele. As esmeraldas queriam amar, mas não podiam ser amadas primeiro.

O homem sentia a dor, mas preferia observar as montanhas ao fundo da paisagem ao ver seu próprio sangue espalhado pelo cômodo mais aconchegante do casarão. Lembro-me de como estranho seria se eu não me apaixonasse por você. E, na verdade, a vida escolheu ser estranha. O homem sentia as unhas brancas dançarem por suas sobrancelhas, perambularem por trás da orelha e até escovarem seu cabelo. Ele queria olhar para ela. E ele não queria.

E também não podia. Eu estava morto.

mas hoje

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Dissestes que se tua voz
tivesse força igual
a imensa dor que sentes.

Teu grito acordaria
não só a tua casa
mas a vizinhança inteira.

Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito.

E eu sei.

Perfeitamente diferente

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Quando digo que alguma pessoa é perfeita, não quero dizer que ela não possui defeitos. Pelo contrário, deve possuir algo de muito, muito estranho. Mas, até deste algo estranho, eu gosto muito.

Só que esses morangos já estão prestes a estragar.

O sol de vidro

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Finalmente o pacote chegou! Não aguentava mais esperar aquela caixinha embrulhada aparecer na minha porta. Um embrulho pequeno, envolvido em papel pardo e cheio de selos espalhados pela caixa. Califórnia, Texas, Cidade do México, Buenos Aires, Porto Velho, e finalmente São Paulo! Daria para começar uma coleção só com aqueles muitos selos grudados no pequeno pacote.

Na verdade, não era tão pequeno assim; até arriscaria dizer que era um livro em miniatura, ou um relógio esportivo e importado, assim mesmo poderia ser um porta-retrato… Não, acho que não. A caixinha não era tão grande assim. Parecia mais uma caixa de despertador antigo, daquelas quadradas e pouco detalhada. A ansiedade percorria do peito ao ante-braço,  se espalhando pelas pontas de cada dedo, delirante, rasgando com cuidado o papel amarelado.

A caixa não tinha nada. Por fora, é claro. Nada de etiquetas, nada de marca, nem mesmo assinaturas ou qualquer dica do que estava ali dentro. Era só uma caixinha quadrada de papelão branca que, certamente, só fazia a imaginação ir longe tentando prever o que aquele relicário poderia estar escondendo. Coloquei a caixinha na mesa, juntei as cortinas para o sol não atrapalhar e fechei os olhos por alguns instantes. Pediria que vocês fechassem os seus também, mas assim não poderiam continuar lendo o que eu senti naquele momento. Afinal, era um presente de alguém. Alguém de muito perto… mas tão distante.

Ela não foi até a Califórnia para comprar isso. Acho mesmo que nem precisou sair de casa, internet é o que não falta nos computadores de hoje, mesmo assim não nos falamos há meses. Perdido nos pensamentos sobre a garota de cabelos ruivos, abri a caixa lentamente, mal percebendo o que estava fazendo. O tempo me fez esquecer que Anna sabe como surpreender: O pacote escondia uma pirâmide de vidro. Um tipo de prisma piramidal sem inscrição alguma, algo parecido com aqueles prismas de vidro que tem uma imagem dentro dentro dele. Mas eu não conseguia ver nada.

Olhei de todos os lados, por baixo, por cima, da direita pra esquerda e vice-versa. Nada. Só uma pirâmide de vidro sem nada implícito. Mesmo assim, não deixava de ser linda! Subi até meu quarto desarrumado, abri a persiana, e coloquei-a na estante em frente a janela, ao lado do meu relógio que marcava 17:17. As nuvens dissiparam-se mostrando o sol no céu laranja do fim de tarde.

Anna sabe como surpreender as pessoas, principalmente a mim. O sol iluminou o prisma por alguns instantes, o suficiente para conseguir enxergar a frase no reflexo da pequena pirâmide, dizendo, como se fosse num sussurro, apenas o que queria ouvir: “Ainda lembra de mim?”

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