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O sol de vidro

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Finalmente o pacote chegou! Não aguentava mais esperar aquela caixinha embrulhada aparecer na minha porta. Um embrulho pequeno, envolvido em papel pardo e cheio de selos espalhados pela caixa. Califórnia, Texas, Cidade do México, Buenos Aires, Porto Velho, e finalmente São Paulo! Daria para começar uma coleção só com aqueles muitos selos grudados no pequeno pacote.

Na verdade, não era tão pequeno assim; até arriscaria dizer que era um livro em miniatura, ou um relógio esportivo e importado, assim mesmo poderia ser um porta-retrato… Não, acho que não. A caixinha não era tão grande assim. Parecia mais uma caixa de despertador antigo, daquelas quadradas e pouco detalhada. A ansiedade percorria do peito ao ante-braço,  se espalhando pelas pontas de cada dedo, delirante, rasgando com cuidado o papel amarelado.

A caixa não tinha nada. Por fora, é claro. Nada de etiquetas, nada de marca, nem mesmo assinaturas ou qualquer dica do que estava ali dentro. Era só uma caixinha quadrada de papelão branca que, certamente, só fazia a imaginação ir longe tentando prever o que aquele relicário poderia estar escondendo. Coloquei a caixinha na mesa, juntei as cortinas para o sol não atrapalhar e fechei os olhos por alguns instantes. Pediria que vocês fechassem os seus também, mas assim não poderiam continuar lendo o que eu senti naquele momento. Afinal, era um presente de alguém. Alguém de muito perto… mas tão distante.

Ela não foi até a Califórnia para comprar isso. Acho mesmo que nem precisou sair de casa, internet é o que não falta nos computadores de hoje, mesmo assim não nos falamos há meses. Perdido nos pensamentos sobre a garota de cabelos ruivos, abri a caixa lentamente, mal percebendo o que estava fazendo. O tempo me fez esquecer que Anna sabe como surpreender: O pacote escondia uma pirâmide de vidro. Um tipo de prisma piramidal sem inscrição alguma, algo parecido com aqueles prismas de vidro que tem uma imagem dentro dentro dele. Mas eu não conseguia ver nada.

Olhei de todos os lados, por baixo, por cima, da direita pra esquerda e vice-versa. Nada. Só uma pirâmide de vidro sem nada implícito. Mesmo assim, não deixava de ser linda! Subi até meu quarto desarrumado, abri a persiana, e coloquei-a na estante em frente a janela, ao lado do meu relógio que marcava 17:17. As nuvens dissiparam-se mostrando o sol no céu laranja do fim de tarde.

Anna sabe como surpreender as pessoas, principalmente a mim. O sol iluminou o prisma por alguns instantes, o suficiente para conseguir enxergar a frase no reflexo da pequena pirâmide, dizendo, como se fosse num sussurro, apenas o que queria ouvir: “Ainda lembra de mim?”

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