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Arquivo do mês: setembro 2011

Autêntico!

Já escrevi várias páginas, algumas entre aulas de geografia e outras muitas durante a explicação de reações químicas; e se não estou enganado, arrisco dizer que já são mais de 9 postagens prontas esperando para serem publicadas e lidas por todos os meus queridos leitores (“todos”, como se fossem muitos). Entretanto, ainda existe algo surreal que prende as minhas palavras ao papel não permitindo que sejam lidas por outras pessoas a não a quem realmente são destinadas. Seria um basta para a enrolação?

Garanto-lhe que não. Decidi deixar as cartas e os textos já escritos de lado por alguns instantes e dar espaço ao lado bom da espontaneidade textual e produzir, na verdade, um texto presente. Para mim, o presente e a autenticidade são sinônimos de espontaneidade artística, qualquer outra produção é apenas um conjunto de ideias repensadas sobre fatos passados. Aliás, mesmo que os mesmos não tenha acontecido, de fato, junta-se as experiências anteriores para a produção de uma crônica passada, diferentemente da autenticidade espontânea, um texto sobre agora, sobre o momento e o instante!

Sobre o presente! E é por isso que ele é chamado de presente.

Isso é apenas necessidade voraz de tentar dizer as sensações indizíveis que me vem ao corpo e a mente desde que lhe vi pela primeira vez. Hoje eu me reservo a prestar algo que não faço há tempos: Escreveria sobre os sentimentos. Não os físicos, nem os da crônica. Apenas sentimentos, os verdadeiros e reais. Achei mesmo que não escreveria mais esse tipo de texto rebuscado por aqui, perdoem-me a enrolação, mas o conforto de hoje me deixou com tantas incertezas que me sinto pairando no céu olhando o mundo de cima a baixo procurando uma resposta para essas dúvidas – Menos uma. – Da qual única sensação que deveria duvidar, nada mudou. A certeza é plena e clara como água da fonte, é óbvio, a alma sempre foi fonte de água límpida e propícia para se beber. E beber. E beber.

Quanta sede! Que ausência torturante é a força irracional fixada uma vez na espírito por trás da pele, essência de ser e de viver, motivo e objetivo de muitos, de todos e meu. Por pouco, mas ainda meu e diferente de qualquer outro. Individual e superior as sensações mundanas. Ah! E que delícia saber que posso sentir tudo isso… E que tragédia saber que tudo que posso não me faz completo, sou apenas individual, como qualquer outro precisando de um complemento para compartilhar a individualidade e ser feliz por ser o mesmo. Fora dos moldes. Fora do mundo. Quem sabe Pasárgada? Acho que vou-me embora para onde o lirismo valha a pena e os loucos sejam perfeitos como qualquer um! Quanta vontade. Quanta certeza para única dúvida que deveria surgir… Devia ter nascido na década de 60, não acha? Mas não importa, voltamos às cartas e ao lirismo dos loucos que me faz bem.

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Cachorro

Cartas para Capitu

Peço-lhe que não leia este livro; ou, se o houver lido até aqui, abandone o resto. Basta fechá-lo; melhor será queimá-lo, para lhe não dar tentação e abri-lo outra vez. Se, apesar do aviso, quiser ir até o fim;

A culpa é sua!

Por favor, leitor, não me interprete mal. Apesar da entitulação incomum citando o nome de uma grande mulher, as cartas não se referem diretamente, e nem indiretamente, a uma pessoa física; talvez idealizada, mas nada poderá sanar essa sua dúvida. Gosto eu de imaginar que o receptor dessas cartas fosse Capitu, mas não a ordinária da Praia da Glória. E, sim, essa sim, a formosa garota dissimulada da rua de Mata-cavalos!

Adianto que hão de haver várias cartas (quem sabe dezenas!) prontas a serem lidas por ninguém; ou por Capitu, é verdade. Infelizmente, as cartas podem não significar nada. Podem não fazer diferença. Podem até mesmo trazer-me novos prazeres, ou simplesmente ocuparem meu tempo.

Mas é assim que começo, leitor! É assim que você talvez conseguirá entender o que as cartas tem poder de fazer. E logo vos deixo claro: Mesmo se for capaz de ler cada uma, e não entender absolutamente nada, isso quer dizer que a ti é necessário mais leitura, caro leitor!

Lembrem-se que as cartas sempre podem fazer diferença, do mesmo modo que podem fazer nada. Acho que isso é um lembrete a mim mesmo. Encerramos, hoje, com apenas mais algumas penadas… Carta número um:

capitu

Monólogo das Cinzas

Passou mais um ano, e ainda lembro de você perto da gente. Nós quatro, jogando cartas e bebendo cerveja na calçada como adolescentes idiotas. Quem nos olhava caídos ali dando risada e falando besteira não tinha ideia de como eram gostosos aqueles momentos, tardes inteiras atadas as madrugadas! Ninguém mais sabia como era importante ter você conosco… Comigo.

É bom sentar aqui e te imaginar no tablado, discursando na atenção de todos com os olhos brilhando ao som das palavras que ecoavam dentro do auditório. As paredes tremiam junto com o coração de cada pessoa sentada naquele gigantesco salão.

Hoje, as paredes que vibravam ao decorrer de suas frases estão velhas, descascadas, manchadas. Sem vida.
Sem uma doce voz de mesura para respaldar os quatro cantos da grande sala, assim como a sua fazia durante as palestras noturnas de aprendizado. E nós saíamos depois.

Saíamos nós quatro para encher a cara e jogar cartas apostando cervejas, drinks e refrigerante; e quando o dinheiro acabava, era a o medo de passar vergonha que entrava como aposta. Tantas tardes, tantas madrugadas! Como sinto falta de sua saia verde e desbotada caminhando ao lado do meu jeans lavado e com rasgo no joelho, rodeando bancos de praça até acharmos um que era do nosso gosto. Nosso banco de todas as noites.

Agora, somos três sentados na sala, com um copo de vinho mais dois de whisky, olhando a lareira que deixa as cinzas em montes para recolhermos assim como fazemos com nossas lembranças. Porém, nossos corações não são como aquelas paredes velhas do auditório, as memórias não se descascam ou ficam velhas e morrem, a melhor imagem de você estará sempre aqui. Perto da gente.

Pertinho, assim.

Essa analogia é uma breve homenagem a alguém muito forte, um guerreiro perante a realidade que, no entanto, não pode resistir aos ferimentos deixados pela vida. Aproveite sempre o momento de inspiração, e descanse em paz.
E, pra variar, temos um novo dia de neblina

La valse

Sublime

O termo sublime (do latim sublimis, “que se eleva” ou “que se sustenta no ar”, da filosofia) entrou em uso no século XVIII, para indicar uma nova categoria estética, que se distinguia do belo e do pitoresco.

É o termo perfeito para suprir toda denotação sobre os fatos de ontem, e hoje. Do “que se eleva”, palavras que se tornam grandes e falsas, tomam outro significado e são mal interpretadas por todos em volta; como um complô prestes a dar certo.

Ao “que se sustenta no ar” por chegar aos ouvidos de muitos que não fazem a menor ideia do quão complexo é o fato e, ainda assim, querem argumentar sobre ele, jogando a culpa para os inocentes. De fato, não dou a mínima para o que pensam sobre mim, sobre o que dizem sobre mim, sobre o que compartilham sobre mim. De maneira alguma!

Mas quando as palavras afetam, além de mim, uma pessoa querida, de eterna consideração, não lhes garanto o mínimo de sanidade ou compaixão, do mesmo modo que sou gentil e agradável, sei muito bem como transformar vidas em inferno. Falem de mim, falem sobre mim. Bem ou mal, não faz diferença. Mas apenas de mim, não jogue amigos contra si mesmos ou amantes contra os próprios sentimentos.

Aliás, só estou escrevendo hoje, aqui, para assegurar tudo que já disse antes. Não ataco pelas costas e não mando recadinhos pela internet. Quem conhece, sabe que comigo se trata do olho-no-olho. E isso já foi feito hoje.

Apesar da questão já parecer resolvida, não está. O Sublime é o meio, o intermediário. A verdade sempre aparece, e chega de intermediários. O que foi, há de voltar novamente.

Esse texto não é para fazer sentido.

Mas se entendeu, pode estar envolvido nele.

Sonhos, em mais uma parte.

Que frustração acordar sem poder lembrar dos sonhos. Dá até aquela pouca inveja de pessoas que se lembram de seus sonhos todos os dias. Uns dizem que não se lembrar de um sonho não significa que o sonho não tenha existido; Mas se existiu, e eu não consigo lembrar, não faz tanta diferença.

Não sonhei, nem nunca sonho… Ou nunca lembro dos meus sonhos, se preferir. Mas quando lembro, é algo essencial. Pode até ser bizarro, mas ainda essencial, conclusivo ou inspirador. Esses dias eu lembrei de um sonho. Na verdade, já faz tempo. Era uma festa em que você deveria ter ido.

A frente da casa tinha seu portão branco coberto por uma lona escura para esconder os efeitos luminosos da garagem, onde todos estavam dançando, conversando e comendo. Uns aproveitavam a deixa para jogar aquela conversinha em outras meninas. Até que tentei também, mas não lembro se deu certo ou não. Num instante, a música parava. Todos trocavam olhares, ninguém percebia o que tinha acontecido… Mas todos já tinham entendido, menos eu.

Nessa hora que uma menina de camiseta roxa, vestindo algo parecido com um sobretudo preto e brincos de argola, me abraçou e pousou seu rosto em meu ombro. Ela chorava. Sendo sincero, não olhei diretamente ao seu rosto, mas via as lágrimas escorrerem por suas bochechas vermelhas. Seu perfume era doce, e nada dizia. Apenas deixava as gotas quentes escorrerem pelo rosto.

…eu a abracei.
Quando abri os olhos, algumas lágrimas, talvez suas, caíram.
Mas você não estava mais lá. Lua de prata no céu, o brilho das estrelas no chão…

A noite linda continuava.

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