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Cartas para Capitu

Espere um momento. Para que possa lhe contar alguns recentes acontecimentos, preciso deitar em minha rede de tecido interiorano tão confortável como uma poltrona estufada de couro novo e de boa qualidade! Mas detesto poltronas. Prefiro o balançar do gancho na parede, o sol esquentando meu rosto e a sadia brisa da noite me fazendo companhia nessa carta.

Começo com algumas penadas sobre a rua de Matacavalos. Ou poderia chamá-la de Alameda da Glória? Quisera eu, se pudesse! Alameda da Glória é um bom nome de lugar para uma grande história se passar. Apesar de gostar, também, da Rua Shipping. Infelizmente, Matacavalos não é como minha idealizada Alameda da Glória, é simples e desprovida de gente interessante, são as diversas esquinas numa mesma rua que a tornam um caminho interessante. Só a rua, pois sua gente não é muito conhecida.

Perdão aos Matacavalenses! Acho apenas que uma esquina salva todo seu povo. Jogar bola, brincar de pega-pega ou esconde-esconde por entre as vielas tranquilas dessa grande rua parece-me espetacular. Diria, até mesmo, surreal! Com todos seus varais imaginários atravessando os becos, tênis pendurados, paredes descascadas e janelas mal pintadas (até que são bonitas), seus obstáculos fazem da brincadeira ainda mais divertida… Surreal! Surreal! Ou talvez somente cotidiano para os que lá vivem.

Não sei ao certo, mas me lembro de um portão de tom escuro a frente da esquina que citei. Alguns minutos foram perdidos por ali mas nada de que me arrependesse; sinceramente, penso até em gastar mais milhares de minutos por lá! Mas seria insensatez e desperdício de minutos. Um, dois, três, cinco, dez, vinte e cinco, trinta, quarenta e dois, cinquenta e oito, um milhão. Não me importaria em passar mais tempo em qualquer portão se a espera valesse mesmo a pena.

Desculpe-me! Sem querer me perdi durante raciocínio. Não é de todo fácil colocar tantas sensações e pensamentos no papel. E você sabe como é isso. Sabe que uma arquitetura vista não pode ser descrita em escrita. Sabe que o reflexo de uma joia não pode ser exemplificado por tinta no papel. Sabe que a sensação de aconchego que tens comigo não é a mesma que você conseguiria dizer pelas linhas de um caderno de mão ao tentar descrevê-la, se tentasse.

Mas se não tentasse, eu ficaria decepcionado. Acho que é o suficiente para convencer-lhe de que nessa quarta carta não há mais nada além de puríssima verdade. José Dias gostaria desse superlativo. Carta número quatro:

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