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Arquivo do mês: novembro 2011

Oi, gosto de você

Você. É, você. Gosto de você. Gosto de você conversando comigo, me contando seus segredos, as coisas improváveis que acontecem no dia-a-dia e dos olhares que fogem às suas encaras. Gosto da sua vista perdida, dos seu rosto refletido pelo sol, das suas palavras bonitas, gosto do seu gosto… E você?

Você, você mesma. Também gosto de você, gosto do seu rosto, das suas roupas, da sua risada tímida, acanhada e cheia de malícia. Até gosto do seu medo! Gosto das suas mãos pequenas e de seus dedos menores ainda, eu gosto do seu sorriso, da sua voz no meu ouvido. Gosto de ver você andando torto e de passar tardes perto de você. Mas de novo você…

Você… É. Você, minha querida sombra. Minha querida quieta. Minha querida querida. Bem silenciosa e muito bem distante. Bem feito. Gosto de você. Mas peco se dizer isso. Ainda peco só por mim. Ainda, também, só por você. É divertido. Uma brincadeira sincera e letal; eu só me aproveito. Eu desaproveito.

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Aos poucos.

Eu não sei. Gosto tanto de descrever as coisas e não sei! Brinco com palavras bonitas, com imensas inversões de adjetivos e não sei! Podem perceber, em janeiro foram vinte e sete seguidas por outras vinte em fevereiro. Quarenta e sete textos em dois meses, como gosto de escrever! Como amo descrever! Não existe coisa melhor que deitar-se numa rede em uma tarde quente com chuva fraca e deixar a imaginação levar a criatividade consigo de mãos dadas pelo papel.

Mas hoje, eu não sei. Não sei escrever, não sei descrever, não acho palavras para exemplificar a sensação que corre por meus braços e por meu peito… Pelo meu pescoço, por entre meus fios de cabelo. Essa sensação atravessa minha boca, me dá sede, me dá fome e me tira o ar! Mas hoje, eu não sei. Não sei descrever, não sei escolher.

Não é justo! Por que a ferramenta de boas ideias tem de ser sempre sensações torturantes? Como é fácil colocar palavras para fora quando a tristeza bate à porta! Mas hoje, eu não possuo essas palavras, não tenho a inspiração de sempre, não tenho a vontade de segurar um lápis e escrever o mínimo de angústia que seja. Aos poucos sinto a inspiração indo embora, o escapismo do papel cedendo, as paredes do meu quarto sumindo e alguma luz clareando tudo. Como gostaria que fosse diferente…

… Mas como seria se fosse diferente?
Hoje, é diferente.

Aos poucos vou sentindo aquela coceirinha de novo, um incomodo que não me deixa concentrar, não me deixa dormir. E aos poucos ela vai se deferindo como um dente-de-leão, suas pétalas voando pelo vento levando consigo o que me inspirava. Sinto-me melhor assim.

Aos poucos, meu caro leitor, eu paro de escrever.

Kiss from a Rose

Arte

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A Arte é a maior decepção de todas.
Arte é a decepção que disperta emoções verdadeiras, uma mentira que cria verdades.
E quando você se entrega a essa decepção, ela se transforma em mágica.

Minha querida, essa é para você.

Entre. Sinta-se em casa, puxe uma cadeira e descanse os pés. Pode empurrar essas violetas para o canto, estão aí só como enfeites, além do mais, prefiro as rosas assim como você. Aceita um cafezinho? Hahaha, eu sei! Só estava brincando; sei que você não gosta de café, por isso preparei aqueles morangos de que tanto gosta! E espere só um pouquinho pois já peço para lhe trazerem um bom suco natural.

Depois abrimos a garrafa de vinho, se quiser. Mas não acho que seja hora para comemorar qualquer ocasião com um bom tinto, chamei-lhe hoje aqui para mostrar-lhe o quanto lhe resta depois de poucas discussões, de alguns ressentimentos, de todo esse tempo. Esperava que você tomasse a frente e viesse falar o que tem escondido dentro de você, mas você é bem fraca quando se trata de admissões pessoais; acabou me sobrando, como sempre, apenas redigir alguns lembretes.

Tanto gosto como odeio escrever. As palavras me confortam, me trazem alegria por determinados períodos e momentos que me tiram da realidade para me fazer esquecer o quanto costumo pensar sobre meus problemas, sobre nosso mundo e sobre você. Mas as mesmas me fazem acreditar que tudo se resolverá só por escrever, você sabe como é isto, pelo menos sei que me entende.

Ah, ali estão elas! Podem colocá-las aqui na mesa, por favor. Viu só? Não disse que preferia rosas? Dei um jeito de enfeitar melhor essa mesa! Violetas também são lindas, mas só as rosas conseguem ser lindas ao mesmo tempo que podem ferir quando mal manuseadas. Assim como as palavras. E essa, minha querida, essa é para você.

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la,
Isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
Isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
Isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro,
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
Por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

CÍCERO, Antonio.

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