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Arquivo do mês: dezembro 2011

Eles se calam quando estão felizes.

 

Falemos um pouco sobre inspiração, quietude e melancolia. Escrever se torna uma tarefa tão simples quando não temos nada a perder,  principalmente nas vezes que um mar de tristeza faz todo vestígio de felicidade se afogar junto ao seu detentor. Toda metalinguagem, toda metáfora,  hipérbole e retórica ficam transparentes como água! As palavras parecem surgir diretamente abstrato para o papel. No meu caso, querido leitor, meu parceiro é o teclado.

Essa inspiração perfeita vem das veias únicas de tristeza que correm o seu e o meu corpo, leitor… Mas eu não gosto de coisas perfeitas, acredite em mim,  as palavras providas de alegria deixam o papel mais bonito, talvez não mais sincero, porém traz consigo a satisfação de escrever sem tratar a escritura apenas como uma fuga. Os textos ficam mais singulares, não são facilmente assemelhadas às melancolias comuns, e humanas, de gente que gosta de sofrer.

Penso, eu, que às vezes devo escolher a mais bonita para aproveitar a vida, a mais inteligente ou a mais sincera. Na verdade, não me importam qualidades, não me importam dificuldades, não me importam desejos fúteis ou pequenas brigas sem motivo! Apenas sorrisos maravilhosos!

Me perdi durante muito tempo, andava na inércia do destino, esperando em um fim de tarde frio e de sol fraco esbarrar na rua com quem eu mais queria encontrar. Esse dia nunca chegou. Prefiro a que faz meu mundo o mais bonito.

Até quando puder.

Feliz ano novo, todo novo.

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L’âme brisée

Um bom dia

É o que foi hoje.

Distantes de tudo.

Adentro ao calor de poder deitar a cabeça no travesseiro, esticar bem as pernas, fechar meus olhos e dormir tão tranquilo. E então… Todos os dias quando acordo, vejo um sol nessa manhã tão cinza.

Retórica

Gosto do que significa retórica, talvez já conheçam o sentido da palavra por ouvirem expressões populares quando uma pergunta não precisa de resposta por já sabê-la. Retórica também é a arte de discursar de forma persuasiva, comovente… Mas prefiro brincar com conhecendo as respostas.

Mau saber por que ainda não digo, não me expresso, não comovo. É tão diferente e tão parecido, gosto desse calor sutil e da partilha que me deixa, mas, convenhamos, o que posso fazer se minha garganta aperta e meu peito aquieta quando aparece por perto? Entre os sorrisos há algum medo de perder tudo, o tempo jogado fora seria se as horas maravilhosas fossem desperdiçadas, apertos de mãos, abraços, muito tempo perdido.

Retórica por saber da resposta sem perguntar, por tentar persuadir… Retórica por não querer dizer nada; e por querer-me dizer tudo! Deixar que as horas passem sem que perceba é um dom que possui, principalmente por ser tão parecida e tão diferente. Não sei explicar-lhe isso, leitor, mas atirar-se sempre de cara em uma bela sensação vai ser sempre minha resposta. Mesmo que seja difícil, sempre a mesma tola resposta, até que seja tarde.

E não vou me arrepender.
Nem você.

Não vale nada.

Hoje eu encontrei
Um velho retrato seu
Por onde andarão os olhos
Que uns dias foram meus

A rua sem você
Vazia é quase nada
Escura suja e triste
Recordação maltratada

Bêbado, rouco e louco
Eu danço entre os carros
Na marginal congestionada
Grito blasfemo
Paixão e ódio
Mágoa despeito
Uma mulher não vale nada

E os dias passam sedentos
Nessa imensa mesa de bar
Copos vazios
Que brindaram saúde
A quem não me quer mais
Não me quer mais

“Toma um fósforo
Acende teu cigarro!
O beijo, amigo,
É a véspera do escarro
A mão que te afaga
É a mesma que te apedreja
Se alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra na boca que te beija!”

Versos Íntimos
Augusto dos Anjos (1884/1914)

Feelings

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