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Cartas para Capitu

Olá, querida Capitolina! Há quanto tempo não é mesmo? Acabei gostando tanto do meu novo estado egocêntrico que esqueci-me de lhe dizer como estavam as cousas por aqui. Quero alarmá-lhe logo de primeira mão que não estarei sendo de todo sincero nessa carta; mas, sim, passarei por ser realista além da conta, como de costume… E aposto que você sentia falta disso!

Não sei se deveria dizer, mas gostaria de distribuir algumas palavras pouco agradáveis. Talvez até corroboradoras com o sentido que aflora em minha pessoa, porém deixo essa oportunidade passar. Hão de haver, eu sei, mil outras ocasiões nas quais poderemos discutir sobre nosso passado, nosso presente (e que presente!) e nosso futuro! Como eu gostaria de passar tardes conversando sobre isso… Mas infelizmente me contenho apenas num pedaço de papel pouco cuidado e com dobras por seus cantos.

Ah, acabei perdendo-me na velha metalinguística de sempre, não é mesmo? Hahaha, pois, então, o fim de ano foi maravilhoso, você deveria estar por aqui, perto dos amigos, perto de mim. Sim, você deveria. Mas não é exatamente o que eu queria para passado trinta e um de dezembro, gosto de te imaginar bem longe daqui, bebendo champagne e secando garrafas de vinho branco com seus lábios já encharcados de etanol e de sorrisos distribuídos pela noite a inteira!

Breve desperdício, se me permite dizer. Se ao menos soubesse o preço de seu sorriso, não desgastaria à toa essas pequenas pérolas que enfeitam sua modesta boca. Juro por todos os santos que, se pudera eu, venderia suas risadas e suas ditas barbáries pelos quatro cantos do mundo sem nada hesitar, como eu tinha saudade desse sorriso sincero! E já que falamos de sinceridade, acabo de mentir um pouco sobre meus motivos de escrever-lhe novamente.

Posso resumir tudo que diria daqui pra frente em uma singela palavra vinda de coração, sincera, mas irreal: Apareça.

Não é fácil manter contato sempre por essas cartas mal redigidas e visivelmente descartáveis, talvez você possa simplesmente guardá-la nas gavetas de seu criado-mudo, ou na prateleira de sua estante, só não quero que esses dizeres sejam perdidos ou esquecidos.

Temo que hoje seja meu último dia aqui na Alameda da Glória, volto para casa já depois do espetáculo luminoso de ano novo, me sentindo ainda, porém, no mesmo ano velho que já se passou para todos, menos para mim. Carta número cinco:

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